Mostrando postagens com marcador alice. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador alice. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, julho 16

Fotografia de Alice

Tomou nas mãos aqueles pequenos retalhos e passou a uni-los em oração.
Cada xadrez, ligado a um fio que ultrapassava círculos e contornava pequenas flores, formava um jardim.
Achava-se cheia dos retalhos, das pequenas miudezas que mal enchiam a xícara, faltava-lhe sempre o chá todo e faltava-lhe uns amanteigados, uns beijinhos de côco e sonhos açucarados (por mais que ela os produzisse toda noite).
A toalha de mesa costurada a mão já tinha cauda, que corria todo o salão e a contornava os ombros e no reflexo do chá ainda os mesmos olhos marejados e desejosos,
Marejados e ansiosos,
Marejados e infantis, esperançosos por amoras frescas, casadinhas e suspiros.

(Darla)

quarta-feira, julho 7

Alice estava deitada no campo de flores
Procurava respirar devagar,de forma ritmada
Tentava com tanta dedicação, mas um reloginho dentro dela batia insistentemente:
Tum tum
Tum tum
Não podendo mais ignorar aquele som, curiosa que era, perguntou com autoridade:
- Ora, ora coraçãozinho, por que está tão agitado aí dentro mim? O que quer afinal?
Alguns minutos e nada de resposta. E nem teria. Coração não fala, coração sente e ela sabia o que ele sentia.
Amor.

Amor! Ela se repetia. É amor!


(Darla)

quinta-feira, março 18

Sob o olhar de Alice [3]


Encontrei Alice sob a árvore,
Parecia-me pensativa, dedilhando a bainha do vestido como quem tem um rosário nas mãos.
O olhar baixo, mas longe, e olhos que se fechavam quando vez por outra ela levantava o rosto e suspirava.

Alice às vezes me parece tão carente, das carências que não se cobrem com presença.
Chamo de carência de si mesma, uma eterna procura interior pelo que ela pressente ser.

Ela pergunta:_ Comi uvas por toda a tarde, e agora, como faço pra tirar este entalo?
Ela culpava as sementes de uva que temia em engolir para nascer dentro de si um pé só pra ela.

[O vento: _ Pobre Alice...Rica Alice...]

Seus olhos sempre brilham uma esperança,
Seus braços parecem sempre prontos pro abraço,
Seu sorriso, porta de entrada do amor.

[O vento: _ Tão doce e tão ácida...]

Alice tem grandes relíquias,
Retalhos sortidos que guarda na sua caixinha
E ela guarda com carinho, pois quer ter pra sempre, ela só sabe ser ‘pra sempre’.
Alice é intensa como poucas que já vi...
Como poucas...

Talvez seja por isso a carência,
Intensos não se fartam e nem acho mal nisso.

Alice recebeu um presente no último ano e desde então há um incontestável contentamento nas linhas da face e sinto eu, que a observo há tanto, que Alice tem mais força agora e nem quero pensar como seria ela sem ele.

Mas Alice, como Alice que é, espera algo mais, algo que vem de dentro, um alimento... talvez seja por isso que planta uvas no estômago, para se ver saciada.

Ela me viu a observá-la do canto do olho e me sorriu tão lindamente!
Acho que ela gosta de me saber ali, acho que ela se sente menos sozinha imersa nas estampas do vestido azul.

(Darla)

quinta-feira, novembro 26

Sob o olhar de Alice [2]


[sobre como estar no País das Maravilhas]

Falavam sobre o tempo
Como o céu parecia azul naquela tarde

A tarde deixava de ser comprida quando se davam conta do tempo
Mas o tempo se estendia se deitados sobre ela, de tal maneira, que estrelas nem eram vistas.

Riscando nas paredes os passos do encontro
se viram acordados no sonho dos olhos do outro
mãos encaixadas
remendando as vidas
agora entrelaçadas

a mão no dorso
as unhas cravando a linha da coluna
a boca pousada no pescoço

viram-se um, sendo o outro.

Sussurraram algo que não ouvi
Um sussurro velado
Íntimo
Algo familiar
Como uma música ouvida
Uma letra lida...
Que quase me pareceu uma previsão.

(Darla)

quinta-feira, novembro 12

Sob o olhar de Alice [1]

 
[sobre como estar no País das Maravilhas]

Ali
Abraçados sobre uma Abbey Road particular
A cidade sobre a cabeça
e o mar aos pés

O som do coração silenciado no peito do outro
Banhados pelo sol do improvável:

Ela nos olhos dele
Ele na boca dela.

[E o pássaro encontrou ninho e o ninho um pássaro para si]

(Darla)

sexta-feira, outubro 2

Algumas coisas moviam Alice
Sobretudo Maravilhas personificadas em sorrisos, gostos, arte, sons...
E claro, sussurros.

(Darla)

segunda-feira, junho 8

late?

 
Um campo de tulipas amarelas, banhadas pelo céu azul piscina, aquela brisa amena, meio quente de tardes de primavera e cheiro de infância. Fugi pra lá nesta manhã, quando em meio às construções da cidade, buzinas, ruídos, correria...quando, no meio disso tudo, fechei os olhos, abandonei o corpo na shavásana e me vi menina correndo no campo, próxima à arvore preferida, engolindo o prazer daquela imagem. E senti aquela praia, aquela pra onde meu pensamento voa sempre que quero ver algo belo. Vi o mar, senti o calor do sol quando levantei os braços e o saudei. Foi bonito, foi gostoso e confesso que passaria o dia todo lá. Mas o bater do relógio da grande torre ao lado me trouxe de volta...
”I’m late...”: disse o coelhinho para ‘Alice’ no país das tulipas.

(Darla)
Related Posts with Thumbnails