Mostrando postagens com marcador d'elas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador d'elas. Mostrar todas as postagens

domingo, agosto 1

Observo-a há tanto tempo...
Lembrei-me dela atravessando a rua vazia, olhando para as janelas, buscando algo, ansiosa com coração palpitante e desejoso até que um pássaro pousou nela.
E me lembrei dela lambuzada de doce de leite, coberto com cristais direto do pão de açúcar.
E me lembrei também do céu azul piscina que anunciava uma noite ímpar.
E das gotas de chuva aqui e ali e dos sapatos vermelhos atravessando a rua cinza e os tantos ônibus rumo à brisa do mar.
Lágrimas inexplicáveis, que talvez saíram porque queriam saber o que é molhar um ombro e não um travesseiro.
Fogos de artifício, vento no rosto, água gelada de cachoeira, arroz com brócolis e suco de morango com laranja...
Ela, a figura dela, me passou como um filme acelerado na mente e me lembrei dos instantes que a vi feliz e fiquei feliz de ver seu sorriso.
Lembrei-me dela também pequena, no corpo de criança, louca pra saltar a janela e criar asas como borboletas e me lembrei dos desfiles cívicos que eram tão importantes e até senti saudade daquela cabecinha sonhadora.
Lembrei dos tropeços, dos tempos que ouviu tantos conselhos e se perdeu e tentou se achar, se perdendo e se achando. Quero tanto que ela se encontre mesmo.
Ela me instiga porque me confunde, por isso observo-a tanto.

(Darla)

terça-feira, dezembro 15

Capitus & Lucíolas

Quando se pensa que 1 ano são só 365 dias de horas contadas e passadas, de subidas e descidas em ônibus, cálculos, contas a vencer, trabalho a cumprir...

Quando se pensa que 24 vezes 365 é só uma maneira de se elongar o que é curto e que passa e que tende a ser igual...

Quando se pensa que 3 meses que faltam pro natal é um piscar de olhos em que nada novo pode acontecer...

Quando a maioria da gente ficaria parada esperando o novo ano pra tentar fazer dos novos 365, os perfeitos dias sonhados nas ilusões dos que fazem promessas na virada.

Meninas rendadas com cabelos enrolados, enfeitados de nuvens e pés alados e olhos que brilham a inocência de quem não pertence a este mundo...

Elas,
aparentemente contidas e conformadas em seus mundos particulares...

disfarçadas sob os olhos de ressaca, observam os passos de toda gente que se diz esperta

E se tecem para o inesperado, aprontam-se para o provável improvável, porque se crê.

E fazem de 3 meses que faltam pras festas, 3 meses melhores de talvez 25 vezes 365 dias

e riem por dentro com o charme da travessura e a alegria de se saber feliz.

(Darla)

 

terça-feira, setembro 8

Lucíola

 
"Já que você não está aqui,

O que posso fazer é cuidar de mim

Quero ser feliz ao menos

Lembra que o plano era ficarmos bem?"

terça-feira, fevereiro 24

Eleonor

Eleonor era moça de finos traços e olhar tenro.

Nela, ele encontrou boa amiga, nele, ela encontrou bom ouvinte.

Dela, ouviu sobre saudade
Disse-lhe que é sentimento que não se sabe como lidar
“Saudade...o que fazer com ela...não sei...”

Também falou ela sobre aurora boreal e do seu desejo por ser uma.
E ele viu nela todas aquelas cores que verdadeiramente saíam dos seus poros. Ela era realmente uma.

E todos os dias ele se sentava ao seu lado e a olhava, esperando pela nova palavra.

Falou sobre ameixas, sobre algas, mares mortos por sal
Rabiolas, confeitarias e laços de fita
Sobre as estrelas e sobre vulcões.

Até que um dia ele a perguntou sobre o amor.

“Amor?... não sei”.

E continuaram ali por toda tarde, banhados pelo silêncio, observando os pássaros.

(Darla)

sexta-feira, dezembro 19

Próxima parada: um pouco mais 'Dela'

Eu e essas que sou eu
Me fazem esse turbilhão
essa coisa toda
intensa
tonta
confusa

Essa que quer mais do que ninguém
mas que dorme
boceja
e espera

Que ainda tem nos olhos um brilho de mágico
de poço dos desejos
e mar feito pros outros se afogarem

Há intenção e ao mesmo tempo há despretensão
há querer doado
há querer surpresa
e certeza
e jogo com mistério
e transparência no entregar

Quer entrega
total
e sublime

É possível?
É real?
É verdade?

Existe um pote de ouro no fim do arco-íris do seu sorriso disfarçado de olhos apertados
E ele quer desesperadamente ser encontrado

(Darla)

sábado, dezembro 13

Ela [2]


Ela dança
Dança
Rodopia e toma todo o salão

Movimenta as mãos cortando ar
Revira a cabeça e deixa os cabelos ora pendendo, ora flutuando
Os quadris parecem soltos
E a barra da saia, onda

Seu perfume exala
Inebria
E paralisa os passantes
Os amantes
Os que a observam

Os dentes parecem portas celestiais
E da boca sai o grito
A gargalhada de gozo
Por se sentir livre
Leve como no sonho

Os pés tornam-se pontas
E voltam ao chão
E deslizam e pulam e ganham vida como se se desprendessem Dela

E Ela olha
olha em volta e fecha as pálpebras e vê além

O peito palpita
As veias pulsam

O sangue corre como que hipnotizado
Por Ela

E mais e mais passantes param
E a engolem num suspiro
No desejo por absorvê-la

E Ela suavemente se vai
Na dança
No passo

Na esperança por ter sentido a alma viva
(Darla)

terça-feira, dezembro 9

Ela [1]


Ela chegou, olhou ao redor, com aquele olhar fugitivo que procura onde se esconder e que prefere não ser visto.
A mesa, de bordas arredondadas, próxima às janelas, tão longilíneas, de onde de podia ver a rua, os casais que passavam, os cachorros com seus donos, o jornaleiro, a loja da esquina...
uma respiração profunda e deixou os ombros tomarem todo o encosto da cadeira que a lembrava a de suas bonecas.
Mãos sobre o queixo sustentando mais que a pose, sustentando as idéias e o caminhão de pensamentos que a acompanhavam por dias, noites de sono ruim...
Mais um olhar em volta, olhos baixos buscando figuras na madeira da mesa: podia ver um coelho, uma cadeira de balanço mais à direita...Ela era capaz de encontrar as mais variadas formas em qualquer lugar, principalmente em azulejos.
_Alguma coisa senhorita? Ela é arrancada dos tais pensamentos subitamente pelo garçom, o que a faz ser grata pelos segundos que pode se livrar deles.
_Um café.
Ela olha pra fora e não se sabe por que, sente o entalo, o engasgo de mais uma lágrima que insiste em aguar seus olhos [se deles nascessem flores...já teria um jardim]
Pôde ver sua imagem no café que fumegava à sua frente e que desejava ser engolido, unir-se a Ela [seu único companheiro no momento]
Mais um suspiro, daqueles de cansaço. Um blues ao longe, as outras almas em volta a viverem e Ela se olha, pois duvida da sua existência ali, naquele momento, naquele universo.
Os olhos agora já são dos que buscam, dos que anseiam, dos que querem mais que uma companhia pro café.
Ela pega os pensamentos todos, com os quais teve que se acostumar da presença constante, toma sua bolsa, paga seu café com mais que um trocado, deixa ali um pouco de si...

(Darla)

sexta-feira, outubro 17

Ela...




Nascida na cidade do aço
Sangue de trabalho e pó
Pra quem provou desse veneno
Sabe que não há volta...
Sou nó

Vulnerável
Intensa
Obscura
Sou esta cidade
E ela sou eu

Nela quebrei o asfalto
E nasci como flor teimosa
Que busca o sol dentre as nuvens
Nuvens brilhantes
Que o ferro esculpiu

Ela me tem por herança...

Sou dessas que nunca aprendem
Mas que sempre quer
Das ansiosas e determinadas
Engenheira humana
Sonhadora fiel

Um quebra- cabeças
(Me montas?)
Uma história sem fim
(Quer terminar?)

Quem já a tentou desvendar
Talvez se perdeu no caminho
Quem não há quis tocar
A teve em desalinho

Um labirinto de idéias
De sons
E de intenções

És o mistério em pessoa
Sua amiga
Ajudadora

Não a deixes partir...
Ela pode se perder

...E não mais voltar...

Essa é ela,
Simplesmente ela

Nada mais...

(Darla)

sábado, setembro 27

Eu e as outras...















Sim
Sou eu e muitas
Entrelaçadas
Misturadas
Diluídas
Um espectro
Com todas as cores
Todas as luzes

Não me contenho
Não me economizo
Não me detenho
Quando sinto
Só sei sentir

Nebulosa em meio ao mistério que ainda não desvendei
Intensa na dor e no amor
Irremediável nos ideais e nos sonhos

É assim que sigo

E te chamo

. . .


(Darla)
Related Posts with Thumbnails