domingo, dezembro 28

O que veio me visitar

nas cinzas dessas horas de fim de um dia e entrada do novo
lembro-me dele
e de seu olhar frente ao rio
do seu olhar fixo sobre aqueles que aceitou como irmãos
aqueles por quem quis lutar

e nesta noite
deito-me com o pensamento nele
no que com sua inquietude e espírito sonhador pôde fazer e deixar para mim
que viria muito depois
em outra nação, mas com as mesmas marcas de uma América
assim como ele

e compreendo que realmente somos um
e desejo abraçar a todos
à essa terra imensa
daqueles que são eu mesma

respiro seus ideais
e clamo pra que eles não se percam como uma história somente

mas que me movam e a todos
sempre e sempre
até a vitória...


(Darla)

segunda-feira, dezembro 22

Minha extensão

Ali está ela
Agachadinha em frente ao espelho
Penteando os cabelos

Olhos sérios, profundos, curiosos
Que guardam um imenso mundo

Olhos de gueixa
Um tom exótico

Ali está ela
Cheiro de café
[ela adora]

Um pé no oceano
Cabeça no céu
Que a faz liberdade

Ali está ela
Extensão da minh’alma
Continuação dos meus pensamentos
Resposta aos meus silêncios

Que faz do verso simples o filme que posso ver
Da palavra avulsa
O espelho de mim

Ali está ela
A amizade
Em forma de gente
De gente linda
Inteligente
Verdadeira, das que não fazem questão de agradar mas que simplesmente encantam

Ela é a Fer
A Nanda

Minha amiga Fernanda


(Darla)

sexta-feira, dezembro 19

Próxima parada: um pouco mais 'Dela'

Eu e essas que sou eu
Me fazem esse turbilhão
essa coisa toda
intensa
tonta
confusa

Essa que quer mais do que ninguém
mas que dorme
boceja
e espera

Que ainda tem nos olhos um brilho de mágico
de poço dos desejos
e mar feito pros outros se afogarem

Há intenção e ao mesmo tempo há despretensão
há querer doado
há querer surpresa
e certeza
e jogo com mistério
e transparência no entregar

Quer entrega
total
e sublime

É possível?
É real?
É verdade?

Existe um pote de ouro no fim do arco-íris do seu sorriso disfarçado de olhos apertados
E ele quer desesperadamente ser encontrado

(Darla)
Um blog amigo a fez lembrar
Lembrar gostosamente de coisas que passaram e a fez sentir a dor da saudade que faz as calçadas da vida parecerem tão grandes quanto o mundo
Lembrou-se do amigo, amigo intenso de alguns anos
Juras de amizade e amor
Declarações ao pé do ouvido interligado pelos fios e horas infinitos
Pedaços de um tempo bom que ainda pode ver marcado em cartões diversos e outros rasgados na ira,
na perda de si

Lembrou-se dos que lhe falaram doces palavras e da sua incompreensão

Lembrou-se
E lembrou-se
E se fez triste

E por hoje ela não se perdoará

Saudades...

(Darla)

quinta-feira, dezembro 18

Também prefiro as quartas-feiras


[Ei Pequeno]

Era uma hora ou duas
Frio mas podia ser verão
Era julho mas tanto importa o mês

Só se sabe da chegada
A chegada talvez desejada
Mas não esperada
Um olhar em meio à multidão e o reconhecer de um par de olhos familiar
Que ainda era de menino

[Ei pequeno]


Era noite
Mas tanto importa se fosse dia ou madrugada

Era quarta-feira
Mas importa se fosse segunda ou quinta
Pois quartas-feiras têm um toque especial de dia comum, perfeito pra acontecimentos marcantes

E ela fez por merecer tal predicativo.

Mas tanto faz quando, como e por que foi
Só se sabe que seus olhos puderam ver um novo mar à sua frente
E em seu peito via queimar uma chama nova
Ou talvez adormecida

E passou a sentir saudades, vontades no meio do dia...
Passou a Ser.

Uma visita inesperada
E o passageiro, o viajante...
Tornou-se real e presente
Em pensamentos
Na carne
Nos dias

E foi bom...
(Darla)

domingo, dezembro 14

Ela + Ele

É
A dança entrara Nela e Dela não quer deixar sair
O riso
o gozo do dia comum
do estar ali somente
mas de se sentir em braços de seda
em chãos novos e largos
sobre colchões de espuma
beijos velados e sussurros
olhares encobertos e absortos um no outro

A dança entrara Nela
e por hoje Ela se sente tomada
arrebatada

Apressa-te por sentir
e só
e deixa a pura felicidade dos dias comuns
da chuva, dos números, dos riscos que lhe foram testemunhas
absorvê-la até seu último cristal de açúcar

e a dança toma conta Dela
que é só sorriso
...
e só Ele
...
(Darla)

sábado, dezembro 13

Ela [2]


Ela dança
Dança
Rodopia e toma todo o salão

Movimenta as mãos cortando ar
Revira a cabeça e deixa os cabelos ora pendendo, ora flutuando
Os quadris parecem soltos
E a barra da saia, onda

Seu perfume exala
Inebria
E paralisa os passantes
Os amantes
Os que a observam

Os dentes parecem portas celestiais
E da boca sai o grito
A gargalhada de gozo
Por se sentir livre
Leve como no sonho

Os pés tornam-se pontas
E voltam ao chão
E deslizam e pulam e ganham vida como se se desprendessem Dela

E Ela olha
olha em volta e fecha as pálpebras e vê além

O peito palpita
As veias pulsam

O sangue corre como que hipnotizado
Por Ela

E mais e mais passantes param
E a engolem num suspiro
No desejo por absorvê-la

E Ela suavemente se vai
Na dança
No passo

Na esperança por ter sentido a alma viva
(Darla)

quinta-feira, dezembro 11

Ele

Ele veio me falar há pouco
Discorrer sobre seu dia sem muito da minha atenção.

Hoje realmente tentei e na maioria do tempo consegui manter-me à distância
[não muito...mas algo realmente triunfante pra quem é sempre tão intensa]

Confesso-lhe, meu caro leitor confidente, que por várias vezes no dia me peguei com o olhar rasteiro, espreitando-o obliquamente com um olhar encoberto, desses que escondem um oceano...

E por vezes me peguei de canto acertando os ponteiros da hora, chorosa do tempo que passa e do porquê do meu cansaço.

Ainda há pouco, Ele, que não suportou tanto escárnio, veio questionar-me sobre minha desconsideração:
Nenhum sorriso, nenhum afago...um oi talvez, ou muito menos...

E como sou sensível frente a esses clamores Dele!

Temo perder-me em desalinho novamente...

Ahhh...

Quem é Ele? Interessa-lhe mesmo saber? Não o sabe, já que me acompanha os passos há tanto?

Certo, não posso exigir-lhe assim...
Ele...
Ele é esse sentimento todo...que cisma em fazer parte de mim.

(Darla)

terça-feira, dezembro 9

Ela [1]


Ela chegou, olhou ao redor, com aquele olhar fugitivo que procura onde se esconder e que prefere não ser visto.
A mesa, de bordas arredondadas, próxima às janelas, tão longilíneas, de onde de podia ver a rua, os casais que passavam, os cachorros com seus donos, o jornaleiro, a loja da esquina...
uma respiração profunda e deixou os ombros tomarem todo o encosto da cadeira que a lembrava a de suas bonecas.
Mãos sobre o queixo sustentando mais que a pose, sustentando as idéias e o caminhão de pensamentos que a acompanhavam por dias, noites de sono ruim...
Mais um olhar em volta, olhos baixos buscando figuras na madeira da mesa: podia ver um coelho, uma cadeira de balanço mais à direita...Ela era capaz de encontrar as mais variadas formas em qualquer lugar, principalmente em azulejos.
_Alguma coisa senhorita? Ela é arrancada dos tais pensamentos subitamente pelo garçom, o que a faz ser grata pelos segundos que pode se livrar deles.
_Um café.
Ela olha pra fora e não se sabe por que, sente o entalo, o engasgo de mais uma lágrima que insiste em aguar seus olhos [se deles nascessem flores...já teria um jardim]
Pôde ver sua imagem no café que fumegava à sua frente e que desejava ser engolido, unir-se a Ela [seu único companheiro no momento]
Mais um suspiro, daqueles de cansaço. Um blues ao longe, as outras almas em volta a viverem e Ela se olha, pois duvida da sua existência ali, naquele momento, naquele universo.
Os olhos agora já são dos que buscam, dos que anseiam, dos que querem mais que uma companhia pro café.
Ela pega os pensamentos todos, com os quais teve que se acostumar da presença constante, toma sua bolsa, paga seu café com mais que um trocado, deixa ali um pouco de si...

(Darla)

Em: chave sem porta


Calo-me
Num ato desesperado por ser transparente
Quero que vejam através e só.

E penetro nesse silêncio que grita ininterruptamente dentro de mim
Não quero saber de nada
Pra quê?
Não quero ser nada

Quero como na música:
Não perder a glória de chorar
Não esconder o coração
Quero juntar as mãos
Viver em paz
E não deixar faltar amor
Não posso deixar, jamais

E se isso se chama estar perdido
Não quero mais saber de caminho algum...
Só quero ir caminhando
Esbarrando nas coisas
Nas pessoas
Em palavras
E que [por favor]
Que existam silêncios.

Silêncios é meu alimento.

E percebo que assim é melhor
Pois não sei sair intacta de qualquer contato com qualquer ser vivente
Teimo em deixar partes de mim espalhadas
Deixo que as levem, assim,
Sem saber pra onde
Sem saber se serão bem cuidadas
Sem ter notícias.

Partes de mim se vão a todo instante
E só fico com as marcas
As cicatrizes que me fazem lembrar
[Essa tarefa dolorosa da lembrança]
Ando sem meus olhos ultimamente
E não sabes tu como é difícil aprender o braile
Talvez se ainda fosse criança conseguiria
Mas nesse estado de alma sem idade
Encontro-me sem conseguir aprender.

Uma chave perdida
Procurando uma porta que queira ser aberta
Uma não,
Procuro a porta.

Não sei nadar
Não sei tocar
Só sei-me ser
E sinto-me ridícula
Amassada
Numa pequenez absurda.

Derramo-me sobre o café negro e quente
Que faz meu sangue correr mais acelerado
Deixo-me levar num ritmo novo
Da música que invade o cômodo.
Carrego-me pela casa
Derreto-me em seus pés
Ora, mas você não está!
Esqueci-me...

Não estou aqui
Estou por aí
Sem rumo.

(Darla)

Desejos para uma vida além

Diziam-me dela:
vai ser o que quiser na vida.
é que os ditadores dessas fábulas
também tolheram-na. Estranho.

Escolha uma caixa então, ele a disse.
A caixa metálica cabia meia dúzia de sonhos inoxidáveis.
Ela olhou para mim, naquele gesto de quem duvida do mundo,
Deu um sorriso lento, num olhar queimado de quem já não sabe
sofrer,
Ou sentir, ou reagir.
Olhou para caixa, olhou para mim.
Seis sonhos inoxidáveis, Amelie. Escolha o que quiser.
Naquele olhar vago, preso na gravura da caixinha,
Enquanto seus dedos a tocavam longe de estarem ali.
Amelie?

"O barulho de chaves no fim da tarde anunciando-me sua chegada
Seus pés descalços tocando minha perna antes de dormir
O olhar dedicado que pousa sobre tudo em volta e sobre mim sempre
O som do seu sono perturbando o meu e sem o qual não poderia suportar a vida
Seu cheiro em tudo: no travesseiro, nas minhas roupas e sobretudo na minha pele
O beijo suave e diário"

(Poema: Fernanda)

( Desejos: Darla)

domingo, dezembro 7

O teu errado mais certo














Palavras são apenas palavras
E podem ser ditas com metáforas
Lindos verbos
Rimas...
Mas são só e somente palavras

Posso te dizer tanta coisa
Posso tentar me explicar
Te explicar
Nos explicar...

Posso tentar dar uma desculpa
Um motivo para ir
(sabendo que quero ficar)

Posso tomar os versos do mundo
As músicas
(as melhores)

Mas serão apenas palavras...

O que quero
E em que deveria e devo me concentrar é:
Tatuar-me em tua pele
De forma que ao me ver ali, gravada
Todos os dias,
Todas as horas,
Pense que mesmo sem saber quem sou ao certo
Mesmo sem saber se sou o número do tamanho do teu vazio...

Sinta (sem pensar)
Que sou eu o teu “errado” mais certo.

(Darla)

quarta-feira, dezembro 3

Minha Pasárgada


















Procuro um país que não tenho o nome
Uma nação pra me suportar
Terras bem fartas para eu me deitar
Mananciais de amor
Loucuras sem dor...

Procuro árvores que tenham como frutos poemas
Chuva doce
Flores como sorrisos
Ventos que cantam músicas...

Procuro a calmaria do mar em dias de sol
E seus maremotos em dias de amor

Uma nação que me aceite
Que goste do meu jeito torto
Do meu jeito que não se sabe o quê

Que lá possa encontrar aqueles chamados Saudades
Que fazem a gente esquecer por um dia ao menos certas contradições da vida e nos tiram do chão...

Mas que sempre existam os caramujos com coração [sim, eles têm]
[Deles não abro mão]
Pra bater papo comigo debaixo de um céu de estrelas
Adoçar-me os lábios e como sempre, dizer adeus...

Eles me intrigam e tiram-me o sono...

(Darla)

sexta-feira, novembro 28

Liberdade...












Leve-me
Leve-me junto a ti oh vento que passa
Que me enlaça e se vai

Leve-me para que eu seja leve
E assuma minha essência de nuvem
De brisa,
De névoa
E orvalho

Leve-me para que eu possa tocar as folhas
Abraçar pessoas sem que elas notem
Quero fazer cócegas no nariz das crianças
Balançar árvores
Alcançar os ares

Ahhh...
Como queria ser brisa pra poder girar o mundo e voltar para o café
Visitar quem mora longe
Dançar nos parques
Conversar com os pássaros
E conhecer segredos
Que só você pode saber

Ser o outro e ser eu mesma...

"liberdade é um conceito que nos impede de sermos livres."(*)

(Darla)

[ (*) Rodrigo Diaz ]

quarta-feira, novembro 26

Conversa íntima










Ultrapassar essa nuvem de fumaça
Essa neblina que parece esconder o lado de lá...

Olá-ááá...
Como está aí?

Deixe-me tocá-la
Vê-la mais de perto
Conhecê-la

Venha,
Achegue-se,
Não tenha medo

Venha, você mesma
Você que vive aí dentro

Misturada,
Diluída entre fluido e carne, entre sentimentos
Você carregada dessa eletricidade
Envolvida dessa aura

Você,
Que me traz a ressaca dos olhos
Que me engana
Me disfarça

Você que às vezes dá as caras,
Me visita à meia luz,
Me conta coisas guardadas ali mesmo, nas memórias, nos registros subconscientes

Me perguntam muito de você, sabia?
Perguntam quem você é
Como é
Do que gosta
Dos seus sonhos
Sobre o que pensa

E fico sem saber o que dizer
Está aí,
Sempre...
Mas engraçado,
É pra mim ainda mistério

Quero conhecê-la...


(Darla)



Cansou
...
Cansou de algo que nem se sabe o quê
Sentiu o corpo mole
Os olhos tristes
Sentiu sono...
Não quis tentar lutar
Só por hoje não
...
Cansou
...
E aquele vazio chato deu um oi só pra lembrar que ainda está ali
E pra te desafiar
Dizer que hoje ele ganhou
...
Não é sempre assim
Mas assim às vezes é
E é melhor deixá-lo ser
...
Só por hoje
...
Tomara
...


(Darla)



Rascunho...




(Darla)
[P.S.: Os rascunhos são os melhores... eles aceitam tudo...]

segunda-feira, novembro 24

terça-feira, novembro 18

Hoje?

Não quero mais que um doce
Vinho suave
E filme gostoso

Pensar nos futuros cálculos que me esperam
Nas pesquisas em volumes finitos
Naquilo que devo construir...

Mas aquela conversa eu topo
Essa me faz sempre bem

Pode vir!

(Darla)


segunda-feira, novembro 17

Passageiro...
















Fernanda escreveu sobre o ‘passageiro’.
Disse-me ter escrito de forma tão inesperada, despretensiosa, ocasionalmente...
O que ela não imaginava era o quanto que o seu discorrer sobre o passageiro atingiria de forma tão fulminante minha carne.

Sou essa matéria, composta da mesma substância que todos, mas recheada desses sentimentos todos que poderiam embalar mais de uma vida.
E nesse excesso de sentir, espectro de pensamentos e desejos...me vi vencida pelo passageiro

Os dias que passam...
As pessoas, os amigos de escola, os sonhos de menina, os gostos, a moda, as manias...

Mas tem coisa que cisma em não passar...
E talvez esteja aí o poder secreto do passageiro

O ficar quando precisaria ir
E o ir quando deveria ficar

Perguntei então à Fernanda:
­­__ Tudo passa?

Espero que sim!

(Darla)


sexta-feira, novembro 14

Vende-se felicidade?












Os tempos são outros
Farmácias são como supermercados
Onde felicidade e auto-estima podem ser compradas em cápsulas.
Onde se procura em meio a frascos e comprimidos a fonte da juventude, a solução de todos os problemas, a saída para as angústias...

E os supermercados [que ironia]
Vendem “drogas”
Em forma dos tachados vilões: açúcar e gordura...

Onde foi parar aquela sabedoria antiga que dizia: “a saúde entra pela boca através do alimento”?
Nossa avó já ensinava: “feijão e arroz pra crescer forte e inteligente”.
Quando nos esquecemos disso? Quem resolveu distorcer tudo?

Hoje, comemos remédios
E condenamos o velho e bom prato de comida.

Anda-se pouco ou nada
[Por cansaço ou falta de tempo]
Pernas são trocadas por rodas.

Mas passa-se horas sobre uma esteira, sem sair do lugar, olhando o mesmo ponto fixo
E perde-se a paisagem, o tempo que respira, a vida dos desconhecidos que passam...

Passa-se mais tempo em frente a um computador do que conversando com o pai
Os relacionamentos são virtuais
E quando “por acaso” deixam de ser
Correm o grande risco de se perderem, pois já não se sabe conviver com o outro,
Ceder,
Trocar.

Que grande ironia não?
O que tem havido?

Tem a resposta?

Então me convença!


(Darla)

quinta-feira, novembro 13


"Só quero saber o que poder dar certo,
Não tenho tempo a perder"


Menina triste



















Venha menina
Não fique assim
Não deixe rolar mais seu néctar pelos olhos


Não se deixe entristecer
Não se deixe desacreditar

Procure a porta de saída da cidade sitiada
De onde não pôde ser rainha
Ela está bem aí
Na sua frente
Abra,
Saia
E feche.

Veja o caminho de brilhantes...
Siga!

E venha e descanse aqui se sentir cansaço.
Descanse os pés,
Repouse a mente,
E encontre a paz.

Te observo,
Te analiso,
Te conheço.

Sei quando está feliz,
Sei quando algo lhe incomoda,
Sei quando deseja,
Quando está carente,
Quando está forte.

Reconheço seu perfume,
Seu olhar (todos eles),
O seu mexer dos cabelos
E das pernas.

Sei o que te move...
Acredite!

Então venha menina,
Sente-se aqui perto,
Eu lhe contarei histórias pra dormir...

Mas também quero que brilhe,
Quero que cresça,
Quero que supere.

Eu te amo
Como ninguém pode amar
Eu tenho pra você o que ninguém pode lhe ofertar
Repouse em meu colo.

(Darla)


quarta-feira, novembro 12

Tanto a se fazer...

Da janela pude ver as cores
E sentir o cheiro e querer pular

E andando percebi que é bom sentir a terra
E quis ser leve
Leve na alma
Leve no viver
No respirar e no existir

Andar um pouco ali na minha
Sem mexer no quintal de ninguém
Sem ter que dar oi

Só passar
Na busca das coisas esquecidas no meio do dia
Das folhas
Das árvores

Só quis ser curiosa e me deixar cuidar do que é meu

Tanta coisa pra fazer:
Chocolate com leite condensado me esperando ansiosamente no armário querendo se encontrar
Meu travesseiro doido pra sentir meu cheiro
O filme que comprei a um ano querendo ser visto
O vestido que quer sentir o sol, as ruas, os olhares...

Há tanto céu
Há tanta vida
Tanta gente
Tanta coisa pra se ver

Toco a vida devagar
Com os olhos lá no alto
Joelhos firmes
Meus sonhos na mochila
E o desejo por realizar!


(Darla)

domingo, novembro 9

Rubi

Ele apareceu quando achava que nunca mais o encontraria
E essa visita inesperada
Botou-a em uma montanha-russa

Era a menina de volta ao parque de diversões
E o mundo a pertencia

E na casa dos espelhos ela viu mais do que deveria
Ela viu tudo multiplicado
Que o sonho podia ser real

Até que se olhou profundamente
Penetrou nos seus próprios olhos
E uma lágrima de sal se perdeu

Percebeu que precisava ir embora
O espetáculo terminara
Os portões se fechariam

Com seus sapatinhos de rubi
Deu uns passos
E voltou os olhos mais uma vez...

Ela o encontrou quando não mais acreditava ser possível
Sentiu-se tremer
E desejou mergulhar
Se afogar e não voltar

Ela retornou às ruas
À vida
Ao dia como antes...

Mas jamais seria igual
Ela jamais foi igual

Não sabia ao certo o que havia acontecido
Mas sabia que havia mudado
Que havia algo novo

Talvez o rubi dos sapatos tenha
Alcançado o coração.


[e nada que ela escreveria seria o bastante]


(Darla)

sábado, novembro 8

Rsss...










Vamos celebrar!!!

Celebrar...hummm...

O bolo que acabou
O cara que não ligou
O ônibus que passou
A chuva que você pegou
. . .

É !

Tem coisa melhor do que ser contrariado pela vida?
Tem coisa melhor do que perceber que é um esforço ser feliz?
Viver é maravilhoso...

E putz . . . Amo desafios!!!

[risos]


(Darla)

quinta-feira, novembro 6

Mapa










Essa necessidade pela auto-definição
Esse anseio por me contar

Será que tem alguém interessado mesmo em saber?

Quente e letrista,
Pele cor de ‘desejo por sentir o sol’,
Olhos curiosos e misteriosos
De uma seriedade mentirosa que engana a muitos

Fechada...
Eis a chave.
Quero ser alcançada,
Visitada

Agora, viciada por blog
Pode ser de qualquer sabor
Delicio-me com o que escrevem
Sobretudo uma certa pessoinha que adora mandar recados

Dessa vida quero mais que a cobertura,
Quero o recheio,
Lamber o prato,
Raspar a panela.

De um daltonismo sentimental...
Terráquea das piores
Das super crentes de tudo
E de todos

Acho que quem muito se procura
Quer na verdade é ser encontrada...

[Farei um mapa]




(Darla)

quarta-feira, novembro 5

Madrugada












Acordou na madrugada

Olhos travados nas paredes
Onde se podia ver a sombra dos carros que passavam na rua

Tocou-se
Sentiu os lençóis
Recompõe-se

Três respirações baixas
Coração voltando ao ritmo normal

Umedeceu os lábios
Mãos nos cabelos
E sobre a face

Passeou por em volta
Tentou ouvir
Mas nada...

Cobriu-se
Cerrou os olhos
E desejou por um segundo voltar ao sonho...


(Darla)

sábado, novembro 1

Aluna...

Tenho coragem
Mas tenho medo sim

Posso riscar as paredes
Quebrar os vidros
Mas de que vai valer?


Posso ser eu mesma e ficar aqui.

Pra que entender a vida
É tão mais fácil vivê-la
Pra que pensar demais
Quando eu posso caminhar simplesmente e chegar ao lugar
Ao ponto
Ao anseio?

Posso amanhecer em julho
Adormecer em outubro
Mas ver estrelas
Visitar outros planetas
E voltar pra um dezembro de sol

Meus olhos podem emitir a luz que se desejou
E ser farol
Pro viajante que se perdeu e teima em não se encontrar

Posso ser mar
Posso ser chão
Posso ser um arranha-céu

Sim, eu posso...

E posso ter novas idéias
E balançar minhas pernas quando estou nervosa
E explodir com quem amo, só porque sei que vai entender

Estalar a língua no céu da boca
Permitir-me a conversa despretensiosa com o passageiro do ônibus ou o companheiro de fila

Calçar meu all star
Pôr meu vestido hipper
E não ser de tribo alguma
Só da minha mesma

Posso continuar com a doce mania de sorrir com os olhos apertados pra dizer o quanto estou feliz

E posso voar
Deixar minhas asas livres

Colecionar sonetos
Retratos
Palavras...

Continuar me encantando e buscando um sinal e um porquê em tudo

Suspirar nos filmes e querer fazer parte deles

E ser eu
E viver
Viver o normal
O simples

E fazer alguém feliz
Esse é um ideal

Tô aprendendo
E quem não tá?
Sou aluna...

Foi mal!



(Darla)

quinta-feira, outubro 30

Os dias têm alma


Os dias têm alma
E só esperam por um olhar

Um olhar mais atento
Um respirar mais pausado
Um sorrir de olhos apertados


Ouvir o silêncio do dia
Tentando descobrir mundos nas rachaduras do asfalto
Procurando entender o dialeto dos pássaros que cortam o ar
Ouvir além da buzina do carro
E do alto falante da loja

Viver a simplicidade do dia
E sentir o prazer do silêncio
Da vida que acontece
Do dia que transcorre independente de você querer ou não
Independente da sua ansiedade

Deixe o ar entrar
E te mover
E te mostrar a beleza da criança que corre na praça
E do homem que passa a assoviar do outro lado da rua distraidamente

Sentir a sensação morna do dia de primavera
O vento que abraça
A individualidade que faz cada passante ser único, incitando nossa curiosidade

Olhar com olhos de criança
Pisar alternadamente nas faixas do chão que formam ondas
E deixar o sorriso de paz brotar
E contagiar outros

Perceber o silêncio e a delícia do dia
Ver além
Ouvir além
Sentir além

Faz tudo valer mais à pena
Faz tudo que parecia grande e impossível se dissolver

Passos de calmaria podem reger sua vida
E fazer dela tão especial quanto sonhou um dia!


(Darla)

segunda-feira, outubro 27

Olá...


Olá caro cavalheiro
Diga-me,
Como vai você

Por onde tem andado
Como tem sido os dias,
Os passos,
Que paisagens têm vislumbrado
Nas aventuras na noite serena?

Quantos navios tem tomado
Quantos rios vencidos
Quantas batalhas enfrentadas?

E as conversas com o rei
E os ventos do lado de lá
Que histórias escutou?

E nos dias de descanso
Tem encontrado sossego?
Tem deixado a água descer pelas costas
E os pés repousarem sobre a seda?

Sentiu medo
Sentiu frio
Sentiu saudades?

Diga-me,
Por onde tem andado
Como tem passado
O que de novo tem visto?

Tomou conta dos meus olhos?
Não me deixe sem um detalhe

Quero saber...



(Darla)

domingo, outubro 26

Escolhas


















A vida é feita de escolhas
De caminhos que jamais se convergem
De estradas que levam a lugares distintos
De perdas e ganhos

Escolher faz parte de um aprendizado
Escolher é o primeiro passo para se conquistar algo
Para viver uma promessa
Um sonho

Tomar o rumo e não olhar pra trás
Ter fé e seguir em frente
Buscar o que Deus sonhou pra você antes mesmo que fosse formado

Evoluir
Crescer
Viver
Depende unicamente das escolhas que faz

E é preciso confiar
Acreditar
Arriscar
Seguindo o coração
Com a fé de provar do melhor

Possuir o que é seu
O que foi separado pra você

Saio da minha ilha
E nado em direção a minha promessa
Ao meu chamado
Seguirei essa voz que grita aqui dentro
E que me quer viva

Vida cheia de escolhas...

Com o coração sedento pelo amor ágape
Sigo orando pelos que sempre amarei
Sigo desejando que mesmo longe de mim
Provem e vivam os sonhos de Deus

Vida...
Escolhas...

Meu desejo é ter meus passos guiados
Por Aquele que me desejou
E que Se doou por mim

Continuarei amando
Continuarei sonhando
Continuarei buscando

E sigo.



(Darla)

sábado, outubro 25

Um último suspiro...


















Um último suspiro...todo poeta curte isso...

Mas aí uso o que não é meu, uso o que Chico escreveu...ele e outros...eles sempre sabem do que falam.

Mas hoje só usufruo dessa boa leitura, desse afago do que está escrito...
Eu tive que partir!


“Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir."


”Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
Pra mudar minha vida
Vem vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem você na sala
Porque meu coração dispara quando tem seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz
Na cinza das horas.”


(Créditos a Chico Buarque/ Tom Jobim/ Adriana Calcanhoto)

quinta-feira, outubro 23

. . .


















É pra lá que eu vou
Eu vou

E quem quiser que me siga....

É bom ter um sonho
E pensar nele
E desejá-lo toda noite quando se deita

Vivo porque tudo é tão breve
Permaneço porque hoje, amanhã será passado

Não posso perder tempo
Pensar...mas principalmente sentir
E sentindo, sinto- me viva
Pois sei que fiz o que podia

É pra lá que eu vou
Os raios de sol me apontam o caminho
Tenho os passos guiados por algo bem maior

E firme, assim como fui gerada e comprada
Assim sigo
Assim continuo
Assim sou

Sempre intensa...
E que seja sempre no amor!


(Darla)

Pra não dizer














Já se passaram alguns dias desde o último beijo
E já correram horas desde o último adeus

As palavras soltas pelas ruas ainda acenam quando passo
Os passos deixados ainda podem ser ouvidos

A marca na pele ainda pode ser sentida
Os traços do rosto
O perfume...

O tempo passa devagar
E os minutos podem ser contados

E aquela companheira já se chega à porta
Ela já bateu e quer fazer morada

Pra não dizer saudade...



(Darla)

quarta-feira, outubro 22

Deserto...

É no deserto que os gigantes se descobrem

É em meio ao deserto que homens são aperfeiçoados

Só vão para o deserto os que realmente têm algo a oferecer

Aqueles que realmente fazem parte dos sonhos de Deus.

Vivo meu deserto

E me fortaleço nele...

“Porque quando estou fraco, então é que sou forte”


(Darla)

terça-feira, outubro 21

Silêncio

















Um silêncio amedrontador
Toma todo o ser

Os olhos percorrem os corredores da alma
Na procura da velha companhia

Está um tanto só...

O silêncio paira
As mãos tocam os móveis
A arte estampada nas paredes
Sente as curvas dos objetos
Que antes eram testemunhas do dia

Os ouvidos buscam ao longe alguma voz
Algum som
Algum sorriso

Silêncio...

Os pés sentem o chão
A terra
Ficam na ponta ...

Os corredores vazios
A mesa posta
A cadeira a balançar

Por hoje permanecerá ali
Até que luz adentre a janela
Traga o sol e a esperança novamente...



(Darla)

segunda-feira, outubro 20

Resolvi me encontrar...















Resolvi me encontrar
E nesse trabalho não me importa seguir sozinha

Começo a perceber que a felicidade que procuro não deve ser depositada nas expectativas que gero com relação aos outros

Não é responsabilidade deles
Só minha

Entendi com muita luta que a felicidade está em mim
O jardim sou eu
E preciso estar por perto para abri-lo quando precisar ser regado

Chega de só esperar
É hora de partir
De seguir em frente

E quem for esperto o bastante pra perceber minha partida vai decidir se quer seguir comigo ou ficar por aí...


(Darla)


[P.S.: Esse meu 'sussurro' é antigo, mas cabe bem postá-lo aqui agora! Mas enfim...vivendo e aprendendo a jogar...nem sempre ganhando, nem sempre perdendo...]

Você


"Você não precisa dizer nada...
Basta existir para declamar os mais belos poemas ao mundo,
Mas cada vez que ouve-se sua voz, um lindo hino de esperança ecoa intensamente...

Você não precisa sorrir...
Basta existir para que tudo transborde felicidade,
Mas cada vez que nota-se seu sorriso, a vida mostra-se mais valiosa e importante...

Você não precisa estar presente,
Basta existir para que o "estar aqui" valha à pena,
Mas cada vez que oferece sua presença, ilumina tudo ao seu redor com seu brilho especial...

Enfim, você não precisa fazer nada, basta existir..., mas cada gesto seu é um presente indispensável e um sopro de amor, felicidade e esperança..."


(Presente que um amigo me fez! Muito obrigada!!!)

sábado, outubro 18

Olhar...









Olhou-me daquele jeito
Do jeito que dá medo

E no olhar quase que me deu adeus
E pelo sorriso
Senti um amargo passar de pensamentos
De dúvidas
E nuance de dores

O vento me tomou
E me olhou daquele jeito
E deixou um vazio

E passado um tempo
Ainda sentia a mesma face
O mesmo brilho
O mesmo inexplicável...

O tempo me olhou
Sorriu-me e seguiu

Fiquei na estação
A olhar entre as pessoas

Esperando uma voz
Um sussurro...

O livro aberto
A lembrança do filme
Um dedilhar de violão ao longe
Um cantarolar daquela música

Descanso na estação.

A vida me olhou
Daquele jeito...

(Darla)

sexta-feira, outubro 17

Ela...




Nascida na cidade do aço
Sangue de trabalho e pó
Pra quem provou desse veneno
Sabe que não há volta...
Sou nó

Vulnerável
Intensa
Obscura
Sou esta cidade
E ela sou eu

Nela quebrei o asfalto
E nasci como flor teimosa
Que busca o sol dentre as nuvens
Nuvens brilhantes
Que o ferro esculpiu

Ela me tem por herança...

Sou dessas que nunca aprendem
Mas que sempre quer
Das ansiosas e determinadas
Engenheira humana
Sonhadora fiel

Um quebra- cabeças
(Me montas?)
Uma história sem fim
(Quer terminar?)

Quem já a tentou desvendar
Talvez se perdeu no caminho
Quem não há quis tocar
A teve em desalinho

Um labirinto de idéias
De sons
E de intenções

És o mistério em pessoa
Sua amiga
Ajudadora

Não a deixes partir...
Ela pode se perder

...E não mais voltar...

Essa é ela,
Simplesmente ela

Nada mais...

(Darla)

quinta-feira, outubro 16

Desejo a você...


"Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel...
E muito carinho meu."


Valeu Benet por me apresentar esse poema. Como você mesmo disse: 'coisas simples e tão gostosas'
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