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sexta-feira, julho 9

Me responde só isto
[Se tudo na vida há de ter resposta]
Por que você tá aí e eu aqui?
E por que o relógio gira sempre no sentido horário?
E já que é noite, por que nem todos dormem pra acordarem amanhã e se verem nas praças, se toparem no bonde, dividirem o mesmo café?
Por que você não está aqui e eu aí?
Por que tudo demora quando se quer pressa?
E se tudo na vida tem resposta mesmo
Me diz por que eu tô assim?

(Darla)

quarta-feira, junho 30

Dos pecados interiores

Sim, eu sinto.
E sinto como quando a chuva de verão toca o telhado de zinco
Ou como a bola que invade o gol
Ou como a foice que rasga o campo

Sinto como a pedra no sapato no caminhar obrigatório
Como a sede na garganta do que quer um copo d’água

Sinto quando ele vai e quando ele volta
Ou quando fala ou não fala
Ou quando sei do outro que precisa dele, ou que o ama, assim como eu

Sinto um sentir que queria que fosse só meu

Somente meu, de mais ninguém.

(Darla)

segunda-feira, junho 28

Sobre o sentir

Apertou os olhos para suportar tanta cor.
Cores que respiravam enquanto a espreitavam contra a cadeira, onde se plantara.
Apalpou os bolsos, procurou os confeitos da noite anterior, restos dos minutos que queria parar, mas os bolsos estavam furados (os dias passados).

Fitou-se então e quis entender (como todos os dias) como fazia pra ser inteira quando metade, ou como fazia pra sua metade parecer inteira.

Era sempre assim. Passado um dia em reclusão, ela com seus pensamentos, com suas atividades rotineiras, com o ir e vir absolutamente previsíveis: café, almoço, janta, cama, leituras, contas, afazeres...(suspiros); era só ficar um dia assim e já vinha aquilo de novo, a coisa que aperta o peito, o semblante da introspecção com a música de fundo de dias tristes.

Não queria ser assim, mas é. Queria ser sempre como farinha e açúcar que se ligam com ovo e manteiga. Um bolo inteiro, fofo, quentinho e queria ser assim pra sempre, sem pedaços, sem até amanhã ou até logo, um inteiro que se divide se multiplicando, entende? (Sempre foi boa em cálculos, mas preferia as letras).

Balançou as bandeirinhas, comeu brigadeiro na colher, fechou os olhos um pouco, mas no final era ela falando pra alma dela pra se aquietar um pouquinho pra chegar o novo dia, as novas cores e a hora de se ver inteira como massa de bolo (juntinha).

(Darla)

segunda-feira, abril 26

Era uma vez...

Era uma vez...

A vez.
A vez de se saber o que há.

O que há menina?



O que há com esses olhos fugitivos, de ressaca,

Essa boca sempre amarga (sempre?),
Esses dedos delirantes, dançando no ar,
Os pés pontudos, cravados na terra, trépidos, cambaleantes e ansiosos?

Vejo-a envolta no manto dos cabelos, protegendo-se do sol que queima, da lua que mostra, da chuva que ensopa, do vento que resseca...

Vejo-a com as mãos unidas, queixo no pó, cílios cerrados e oração contínua ao que você crê.

Pedes o quê?

Perdão? Mas perdão por quê?
Se nem existes ao certo.

Licença?

Mas teu passo aqui é valsa.

O quê?
Socorro?


Ahhh...todos nós pedimos.


(Darla)


[Tirinha Ricardo Liners]

domingo, abril 25

Vontades [1]

Vontade de tirar as palavras um pouco daqui e levá-las lá pra fora.

[Pra pegar um sol ou chupar laranja...quem sabe?!]

sábado, janeiro 30

Introspecção

 
A menina fechou a porta e não quis se despedir,
mas eu lancei um olhar fixo, sério, como quem diz: é hora, a noite já vai alta e a menina precisa dormir.
Ela me lançou um olhar molhado.

Marcada pelas listras do vestido azul, sob o sol intenso que lhe fecha os olhos, os dedos saltavam as cores como quem pisa nas faixas pretas da orla.
Entranhamento frente a sua própria imagem, disforme no espelho d’água da poça formada pela chuva de minutos.
Um olhar de saudade, voltado aos pés, mãos e pele.

Revira-se e como que se procurando, caminha com os dedos sobre as curvas marcadas do vestido listrado, tocando as faixas roxas, pulando até o branco, o branco exposto, para se ver claramente.

(Darla)
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