A moça disse que estava à procura dele de um específico com páginas com marcas de dedos orelhas de dias velados com a mancha da lágrima sussurros nas entrelinhas uma nota de música e a data de uma história.
A moça disse que se achar, quer pra ela, pra guardar consigo e levar consigo e tomar café com ele, deitar e vê-lo ao lado e não passá-lo à frente quer assinar, datar e dizer: é meu.
Cuidar dele e ser cuidada dele.
Ela dedilha a estante e toca numa capa que lhe chama a atenção os olhos se encontram e ela se sente feliz deslizou os dedos, sentiu o cheiro, tocou os lábios nele e se sentiu escolhida.
Passou pela rua larga sob o sol de primavera vespertino num céu azul quase intacto e amplo o asfalto ardendo como que reclamando o passo.
Uma rua deserta nada além do som do silêncio cortinas a balançar em janelas entreabertas de mundos desconhecidos e seus olhos curiosos se esticavam loucos pela imagem de um quadro, uma porcelana, o som de um piano... Mas nada.
Pés duros sobre o solo cansado e o sorriso tímido sobre o rosto leve. O coração pulando ritmado no peito, engolindo a certeza do novo.
Então deixou as mãos dançarem ao vento e a vi rodopiar tal como bailarina de caixinha de música.
No ar um cheiro de tarde de infância.
Abriu então os olhos rindo-se da travessura quase clandestina
não fosse um observador peculiar.
Ela cambaleou num misto de timidez e encantamento pela figura que a observava com olhos fixos e dedicados.
Ela sorriu e ele voou pra mais perto. Ela o tocou e ele cantou. Ela o beijou e ele se guardou em seu ombro.