domingo, setembro 20

Modinha*

 
Pousou na cabeceira pra esquecer
do verso triste que se leu
dos momentos nas ruas por onde passou.

E cortando a luz da tarde morna
encontrou descanso ao móvel mudo
e deitou seus olhos sobre os cabelos em flor.

Jaz a luz rompida sobre o chão de giz
de um quarto cheio de seus bibelôs
livros antigos e cheiro cassis.

Um lugar que outrora acolhia gente
quase que podia senti-lo quente
mas agora era só
vazio e dor.

E o silêncio de terça ensolarada
abraçou paredes
abafando
uma respiração quase cantada

da boneca de rosto porcelana
deitada sobre folhas avulsas
rabiscadas de joaninhas e amor.

Foi tudo o que viu
tudo o que pode ver
tudo o que quis se ver
naquela tarde
que de tão comprida
era mais que meses.

Tão vasto era o mistério ali
tão limitada a compreensão
que ignorou-se o pedido rouco
de uma voz serena
em meio a papel.

[suspiro de indignação]

E assim
pousou e se foi
sem perceber o coração batendo
no peito aberto de uma boneca
que agora lamenta sobre os versos soltos
de joaninhas que não se trazem sorte
e criados –mudos que nunca falarão.

Na
Naranara
Naranarara
...

(Darla)


[*escrito ao som (melodia) de ‘versinho número um’ da Mallu]


3 comentários:

.Dazinha. disse...

os criados-mudos falam em seu silêncio.


lindo poema!

Priscila Rôde disse...

Minha nossa, que lindo! :O

Música e caipirinha disse...

Os criados mudos são bons ouvintes.. adorei sua arte reizim =]
Beijo e fique com Deus.

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