sexta-feira, maio 15

Dias comuns sabem ser especiais

 
Perdi-me naquela capa inusitada feita de palavras tão cheias dos outros.
Lancei o olhar no sorriso profundo do livreiro despretensioso que me fez ir a Portugal numa meia conversa vespertina de uma sexta-feira de tempo cinzento, regida pela orquestra dos motores que tomavam as ruas. Ele dissertou sobre. Eu ouvi.
Risquei o centro da cidade acompanhada da alma irmã, uma caixa com rubis nas mãos, o sorriso juvenil de quem ainda sente ferver a adolescência, as histórias fantasiadas agora misturadas às reais e as gargalhadas que às vezes vêm da boca do estômago.
O vendedor de caixas e sua explanação sobre a seriedade da moça quase oriental.
O vendedor de borboletas que cultiva suas próprias lagartas, ali mesmo, na vasta praça, sobre o caule da velha árvore que observa o meu cotidiano. Detalhe, elas não o queimam.
Sei onde está cada coisa, cada detalhe, desde o cheiro que gosto ao sorvete de casquinha, o guarda, as crianças, a gente toda e sua correria.
A cidade e suas luzes e barulhos e particularidades guarda o tesouro de cada um que eu nunca poderei sequer conhecer na totalidade.
Resta-me o melhor, continuar dividindo a conversa arrastada e louca com a que até em seriados me é companheira, pensando no moço desejado e vivendo a simplicidade do dia comum.


(Darla)

Um comentário:

Música e caipirinha disse...

..gosto de pessoas especiais em dias comuns =)

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