Talvez você veja uma chama iluminar o canto, solitária, aquecendo a si mesma.
E ouça o silêncio que de tão alto, é companhia onde vazio vira aconchego...
Tantos em volta, horas tão corridas, rodas e homens e suas máquinas de fazer dinheiro e amigos.
E naquele peito palpitante, o par de engrenagens se atritando, consumindo ferro, mastigando dentes, engolindo a velha vontade de ir embora e de ser passarinho e pousar num alto cume ou na mão do dono e ser guardado, sobretudo no inverno.
O chão é duro para quem pisa leve e brotam bolhas em quem anda calado.
Alguém que só queria ver flores da janela e respirar paz pelas manhãs e saber sua identidade,encontrar sua digital.
(Darla)
terça-feira, março 29
quinta-feira, fevereiro 3
Aqui dentro
Passei pela roleta central
Fingi ter pressa
Contei os minutos no relógio[tic tac]
Saciei a fome
Esfreguei o sono
e ainda apertei os olhos pensando: "Ela não está aqui"
Um momento
e um risco de vento
Os olhos impregnados daquela essência sonhadora a me fitar
Graaaandes, de doer a alma
Sedentos por minha mão estendida a dizer:
"Eu vou te dar uma chance"
Engoli o nó da garganta
Regurgitei o doer do abandono
Guardei-me na falta conformada
Abracei o que a vida me era
e segui, com o pisar duro, forjado
Ela ficou pra trás
O mesmo olhar de insistência
Eu segui
E eu também fiquei por ali, no caminho
Esperando que eu me desse mais uma chance
Que deixasse a essência viver e vencer.
(Darla)
Fingi ter pressa
Contei os minutos no relógio[tic tac]
Saciei a fome
Esfreguei o sono
e ainda apertei os olhos pensando: "Ela não está aqui"
Um momento
e um risco de vento
Os olhos impregnados daquela essência sonhadora a me fitar
Graaaandes, de doer a alma
Sedentos por minha mão estendida a dizer:
"Eu vou te dar uma chance"
Engoli o nó da garganta
Regurgitei o doer do abandono
Guardei-me na falta conformada
Abracei o que a vida me era
e segui, com o pisar duro, forjado
Ela ficou pra trás
O mesmo olhar de insistência
Eu segui
E eu também fiquei por ali, no caminho
Esperando que eu me desse mais uma chance
Que deixasse a essência viver e vencer.
(Darla)
segunda-feira, janeiro 31
O que corre na veia
Proibi-me a lágrima
Esta que a cada instante vem à janela da alma querendo despertar.
Sufoco-a, nego-a
Preciso mudar
Desejo crescer.
Porque amor pra mim
[Ele bem sabe]
é o que me faz viver.
(Darla)
Manhã na casa [2]
Queria ser lua, como aquela que banhou meu leito em 23 de janeiro,
Como aquela que abraça o Pão de Açúcar e beija o mar de Botafogo.
Naquela noite e hoje, quero mais ser lua e menos sol,
Ela me pareceu mais serena, mais paz, mais sua...
Manhã na casa [1]
"Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço. E que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada. Porque metade de mim é o que penso mas a outra metade é um vulcão."
O vento sopra diferente, os passos são novos, horizonte mais amplo...e ela aparece insistente, no mesmo lugar, ali, sentada sob a mesma janela, a que dá pro mar...
Ah, essa vontade de ir embora...o que fazer dela...
sexta-feira, janeiro 21
depois da espera
Há um suspiro no ar
De alívio [talvez]
de ansiedade [do novo]
De vontade e até paz
Asas se abrem
[grandes]
Ensaia-se o vôo
Abre, toma impulso e vai
Como corça...
E ela deseja e quer, sim ela quer...
Darla
sábado, janeiro 8
Sobre ser humano
O telefone tocou no serviço de telemarketing: Trimmm
-Suporte técnico, boa tarde?
-Boa tarde.- soou uma voz fina do outro lado da linha.
-Como posso ajudá-la?
-Preciso de suporte.
-Pois não. A senhora pode me dizer qual o problema na sua conexão.
-Não há problemas na minha conexão, eu só necessito de suporte.
-Mas se não há problemas, por que precisa de suporte?- perguntou intrigado o atendente.
E daí, nos minutos seguintes seguiu a resposta que até agora ecoa nos ouvidos do ex-atendente de telemarketing:
-Preciso do suporte das idéias bem definidas, do balançar afirmativo da cabeça do ouvinte, do aperto de mão, do suporte pra subir as escadas, pra pegar o livro na estante , mas sobretudo, de suporte no amor. Por isso estou ligando. É mais ou menos como quando a internet cai e a gente liga pra empresa pedindo o reparo ou quando pega umas aulas extras pra aprender a matéria direito e passar de ano. Suporte no amor. É como se sentir acompanhado mesmo estando sozinho, é telepatia, é saber antes de se falar ou pedir...
Um silêncio prolongado e o atendente respondeu:
-Perdão senhora, mas não posso ajudá-la.
Depois um novo silêncio, o tumtum de final de ligação e minutos depois um pedido de demissão.
Quando questionado sobre do porquê, antes de ganhar a calçada da rua, o ex-atendente balançou a cabeça inconsolável e disse:
-Eu não dava suporte.
-Suporte técnico, boa tarde?
-Boa tarde.- soou uma voz fina do outro lado da linha.
-Como posso ajudá-la?
-Preciso de suporte.
-Pois não. A senhora pode me dizer qual o problema na sua conexão.
-Não há problemas na minha conexão, eu só necessito de suporte.
-Mas se não há problemas, por que precisa de suporte?- perguntou intrigado o atendente.
E daí, nos minutos seguintes seguiu a resposta que até agora ecoa nos ouvidos do ex-atendente de telemarketing:
-Preciso do suporte das idéias bem definidas, do balançar afirmativo da cabeça do ouvinte, do aperto de mão, do suporte pra subir as escadas, pra pegar o livro na estante , mas sobretudo, de suporte no amor. Por isso estou ligando. É mais ou menos como quando a internet cai e a gente liga pra empresa pedindo o reparo ou quando pega umas aulas extras pra aprender a matéria direito e passar de ano. Suporte no amor. É como se sentir acompanhado mesmo estando sozinho, é telepatia, é saber antes de se falar ou pedir...
Um silêncio prolongado e o atendente respondeu:
-Perdão senhora, mas não posso ajudá-la.
Depois um novo silêncio, o tumtum de final de ligação e minutos depois um pedido de demissão.
Quando questionado sobre do porquê, antes de ganhar a calçada da rua, o ex-atendente balançou a cabeça inconsolável e disse:
-Eu não dava suporte.
(Darla)
terça-feira, dezembro 21
Tentando definir...
A gente ia juntando umas pedrinhas
Aqui e ali [mais uma]
Fomos construindo um castelo, de príncipe e princesa [como tem que ser]
E pegamos umas pra ver o quanto elas podiam pular no lago [e como era divertido!]
O sorriso ganhava todas aquelas tardes de primavera
Risos pequeninos misturados ao assobio doce do vento cortando os crisântemos.
Molhávamos os pés até o tornozelo e ficávamos mergulhados nas histórias um do outro, dos contos fantásticos que éramos capazes de criar a cada nova chance de encontro entre a ponte de madeira e o pátio.
Dois pequeninos felizes com a compreensão estampada no outro e o sorriso sincero da amizade.
Aqui e ali [mais uma]
Fomos construindo um castelo, de príncipe e princesa [como tem que ser]
E pegamos umas pra ver o quanto elas podiam pular no lago [e como era divertido!]
O sorriso ganhava todas aquelas tardes de primavera
Risos pequeninos misturados ao assobio doce do vento cortando os crisântemos.
Molhávamos os pés até o tornozelo e ficávamos mergulhados nas histórias um do outro, dos contos fantásticos que éramos capazes de criar a cada nova chance de encontro entre a ponte de madeira e o pátio.
Dois pequeninos felizes com a compreensão estampada no outro e o sorriso sincero da amizade.
(Darla)
* Hoje, em especial, aos meus amigos queridos, Leo e Vivian.
sábado, dezembro 18
Sobre não se estar só
A gente sai pisando junto por aí
Dividindo o mesmo banco, o mesmo palco, o mesmo sol
E carregando os sonhos um do outro
Pra ficar mais leve do peso a que o próprio desejo nos conduz
De mãos dadas vamos pinçando as pistas pelo chão
E semeando nas nuvens os pensamentos de céu blues.
(Darla)
Dividindo o mesmo banco, o mesmo palco, o mesmo sol
E carregando os sonhos um do outro
Pra ficar mais leve do peso a que o próprio desejo nos conduz
De mãos dadas vamos pinçando as pistas pelo chão
E semeando nas nuvens os pensamentos de céu blues.
(Darla)
terça-feira, novembro 30
Saudade daqui
Ela discorreu sobre pesca e sobre o quanto queria ver peixes coloridos voando sobre sua cabeça
E ele disse que havia visto muitos no seu último mergulho no céu e que os fotografaria da próxima vez e que a presentearia
Ela falou então do sonho da horta e da broa e da bicicleta parada na porta e ele disse que isto é bom, mas que praia ainda é melhor, porque se as pessoas te cansam, ainda haverá o mar
Então ela disse que sentia medo e que também sentia cansaço e que se sentia perdida e ele disse:
_Tudo bem amiga, eu te entendo, somos dois.
[Eu e meu amigo imaginário]
(Darla)
E ele disse que havia visto muitos no seu último mergulho no céu e que os fotografaria da próxima vez e que a presentearia
Ela falou então do sonho da horta e da broa e da bicicleta parada na porta e ele disse que isto é bom, mas que praia ainda é melhor, porque se as pessoas te cansam, ainda haverá o mar
Então ela disse que sentia medo e que também sentia cansaço e que se sentia perdida e ele disse:
_Tudo bem amiga, eu te entendo, somos dois.
[Eu e meu amigo imaginário]
(Darla)
segunda-feira, outubro 4
Um ano do dia 27
"Palavras não descrevem os olhos, as bocas, os braços e abraços, nem a alegria até então desconhecida, surgida de um (re)encontro. Pra quem, há dias atrás, refletia tanto as obras do acaso, hoje compreende que realmente, o acaso não passa de um simples nada, e acredita em algo bem maior que isso. Que levará a um próximo reencontro, sem sombra de dúvidas. Mas até lá, todas as músicas cantadas estarão na mente, todos os sorrisos que ainda não acreditavam no que estava acontecendo, todos os olhares que transpareciam toda a magia do momento."
Caio Fernando Abreu
sexta-feira, outubro 1
"Boas e bobas, são as coisas todas que penso quando penso em você. Assim: de repente ao dobrar uma esquina dou de cara com você que me prega um susto de mentirinha como aqueles que as crianças pregam umas nas outras. Finjo que me assusto, você me abraça e vamos tomar um sorvete, suco de abacaxi com hortelã ou comer salada de fruta em qualquer lugar. Assim: estou pensando em você e o telefone toca e corta o meu pensamento e o do outro lado do fio você me diz: estou pensando tanto em você."
Caio Fernando Abreu
quinta-feira, setembro 30
O que você quer?
um coração? um cérebro? coragem? ou só quer mesmo voltar pra casa?
O que você quer??
amar pra lembrar que tem um coração? estudar pra lembrar que tem um cérebro? luta pra lembrar que tem coragem? ou quer sair pra saber como é voltar?
O que você quer afinal?
Sonho, eu acho.
"Certa vez eu ouvi alguém contar
Que além, sobre o arco-íris há um lugar
Onde o céu, sempre azul
Nos faz sonhar
E a gente consegue os sonhos realizar
Por isso quando a chuva
Tamborila na vidraça da janela
Eu vejo um arco-íris na esperança
De encontrar a região
Tão bela
Onde o céu sempre azul
Nos faz sonhar
E a gente consegue os sonhos
Realizar."
Que além, sobre o arco-íris há um lugar
Onde o céu, sempre azul
Nos faz sonhar
E a gente consegue os sonhos realizar
Por isso quando a chuva
Tamborila na vidraça da janela
Eu vejo um arco-íris na esperança
De encontrar a região
Tão bela
Onde o céu sempre azul
Nos faz sonhar
E a gente consegue os sonhos
Realizar."
quarta-feira, setembro 15
O que você tem cosido?
Ela foi cosendo e dizendo:-olha, é assim que se faz
Passa por aqui, pega, abraça, passa, volta e segue
E o desenho ia se formando.
Perguntei se é sempre assim
E ela disse: -sempre nunca é, mas a agulha aprende o caminho e te ajuda, logo até de olhos fechados se faz flores
E perguntei:-dói o dedo?
-Espeta de vez em quando, como tudo na vida, mas no final tenho flores e pássaros e nomes e sorrisos gratos e corpos quentinhos nos laços formados, não acha que vale à pena?
-Viver é como coser então? -perguntei
-Viver é coser querida.
(Darla)
* co.ser
v. 1. Tr. dir. Ligar, unir com pontos de agulha; costurar. 2. Pron. Consertar ou remendar sua própria roupa. 3. Tr. dir. e pron. Encostar(-se), unir(-se)
segunda-feira, setembro 13
Uma vez li um livro de título “Fazendo nada” que falava sobre um menino, Huguinho, que claro, não fazia nada. Ao final do livro a moral pra mim foi: coitado do Hugo.
É, já que você não faz nada, você pode fazer tudo pra tudo mundo, esta é a lei.
Quem não faz nada pode ir ao banco ou supermercado, ou ainda, farmácia, na hora que alguém pedir ou mandar, afinal: Você não faz nada.
Os fazendo nada que dormem um pouco a mais então, nossa, ganham uma cruz de presente para se prenderem.
Você não faz nada, mas paga as contas, organiza as coisas, preenche os canhotos, varre, limpa, vai e volta...ué, que fazer nada é este afinal? E olha que você pode vender ou dar lições neste meio tempo, pra lá e pra cá e ainda sim vão dizer que você tava passeando ou que seu trabalho não é trabaaalho, já que trabalho pro povo é: todo santo dia de 8h às 18h com 1 hora de almoço. Qualquer grande variação nesta regra o torna um grande fazedor de nada.
E se você ainda estuda é obrigado a ouvir: fulano estuda tanto né? Mesmo que seja mestrado.
Enfim, a conclusão a que cheguei é que quem não faz nada, faz muito mais, e pior, para os outros.
Quero minha carteira assinada e meus direitos trabalhistas. Profissão? Fazedor(a) de nada (e que nada difícil este).
(Darla)
É, já que você não faz nada, você pode fazer tudo pra tudo mundo, esta é a lei.
Quem não faz nada pode ir ao banco ou supermercado, ou ainda, farmácia, na hora que alguém pedir ou mandar, afinal: Você não faz nada.
Os fazendo nada que dormem um pouco a mais então, nossa, ganham uma cruz de presente para se prenderem.
Você não faz nada, mas paga as contas, organiza as coisas, preenche os canhotos, varre, limpa, vai e volta...ué, que fazer nada é este afinal? E olha que você pode vender ou dar lições neste meio tempo, pra lá e pra cá e ainda sim vão dizer que você tava passeando ou que seu trabalho não é trabaaalho, já que trabalho pro povo é: todo santo dia de 8h às 18h com 1 hora de almoço. Qualquer grande variação nesta regra o torna um grande fazedor de nada.
E se você ainda estuda é obrigado a ouvir: fulano estuda tanto né? Mesmo que seja mestrado.
Enfim, a conclusão a que cheguei é que quem não faz nada, faz muito mais, e pior, para os outros.
Quero minha carteira assinada e meus direitos trabalhistas. Profissão? Fazedor(a) de nada (e que nada difícil este).
(Darla)
sexta-feira, setembro 3
O coração da Darla
Meu coração às vezes dói e fico pensando se poderia se tratar de alguma patologia de nome estranho,longo,de radical -algia , talvez.
Mas é dor que o analgésico da tal Associação dos Analistas de Sistemas não resolve, é dor com vontade própria, que pensa e que fala a hora que bem quer, no lugar que quiser, mesmo quando você quer silêncio pra ouvir aquela última fala do ator.
Droga.
Ele às vezes dói como se triste, sem estar, como se faminto tendo o que comer, como que louco por um grito quando se dorme.
Ele dói quando se vê longe do divã, longe do ouvido, incompreendido. Dói na sua diferença, na sua indiferença, no seu jeito meio assim, meio assado, que faz ele ser quem é e pertencer a quem pertence.
Deveria ter ocupado outra residência. -poderia pensar ele.
Um pouco mais espaçosa e sem tantas flores em jarros e papéis de parede do tempo da vovó. Mas me encantei com seus olhos, caí por aqui, fui ficando, me envolvendo e agora, que faço eu, senão suportar?
Meu coração às vezes dói pela sede de ser menos coração neste mundo onde quase não se lembram da existência deles.
Mas é dor que o analgésico da tal Associação dos Analistas de Sistemas não resolve, é dor com vontade própria, que pensa e que fala a hora que bem quer, no lugar que quiser, mesmo quando você quer silêncio pra ouvir aquela última fala do ator.
Droga.
Ele às vezes dói como se triste, sem estar, como se faminto tendo o que comer, como que louco por um grito quando se dorme.
Ele dói quando se vê longe do divã, longe do ouvido, incompreendido. Dói na sua diferença, na sua indiferença, no seu jeito meio assim, meio assado, que faz ele ser quem é e pertencer a quem pertence.
Deveria ter ocupado outra residência. -poderia pensar ele.
Um pouco mais espaçosa e sem tantas flores em jarros e papéis de parede do tempo da vovó. Mas me encantei com seus olhos, caí por aqui, fui ficando, me envolvendo e agora, que faço eu, senão suportar?
Meu coração às vezes dói pela sede de ser menos coração neste mundo onde quase não se lembram da existência deles.
(Darla)
Eram 5 pedrinhas, das mais pequenas, embrulhadas no lenço bordado a mão e guardadas no bolso como amuleto.
5 pessoas queridas, 5 sentimentos preferidos, 5 lembranças melhores, 5 músicas gostosas, 5 pratos prediletos, 5 desejos mais secretos.
Havia dias em que o coração pulava no peito, louca pelo momento íntimo em que abria o embrulhinho com cuidado e as espalhava sobre a colcha de renda.
5 pedrinhas soltas como estrelas sobre o céu, livres.
Tocava-as com carinho, apertava-as nas mãos e os olhos juntamente e pensava que sua felicidade residia nas coisas mais simples, como num sorriso gratuito e despretensioso a qualquer hora de um dia qualquer da semana.
5 pessoas queridas, 5 sentimentos preferidos, 5 lembranças melhores, 5 músicas gostosas, 5 pratos prediletos, 5 desejos mais secretos.
Havia dias em que o coração pulava no peito, louca pelo momento íntimo em que abria o embrulhinho com cuidado e as espalhava sobre a colcha de renda.
5 pedrinhas soltas como estrelas sobre o céu, livres.
Tocava-as com carinho, apertava-as nas mãos e os olhos juntamente e pensava que sua felicidade residia nas coisas mais simples, como num sorriso gratuito e despretensioso a qualquer hora de um dia qualquer da semana.
segunda-feira, agosto 23
Porque gosto
Era o mesmo campo de tulipas amarelas de sempre.
tão lindo...
Com aquela árvore à esquerda, de tronco largo, raízes fortes, rodeada de dentes-de-leão.
E claro, céu azul, como não seria! E um cheiro de alegria e de crianças, aliás, risos ao longe delas, risos gostosos de quem corre entre as flores.
E rodopiei, correndo muito, os braços altos como que abraçando o vento, que era leve e as sementinhas aladas daqueles dentes-de-leão me rodeavam e dançavam comigo e sorrimos e dançamos e sentimos os pés guardados.A mãe gritava que havia café e broa quentinha e todos corriam em volta da casa antes de sossegar e como era gostoso de ver.
Esqueci da música: flauta, assobio...algo assim...do moço querido, claro. Mesmo quando não penso, penso nele.
Tulipas amarelas por toda parte e céu azul piscina como gosto...
Abri os olhos e o tapete cereja me acolhia e da janela a lua cheia me lembrou biscoito de aveia e mel...que delícia!
Namastê
(Fim da aula de yoga de hoje ;)
(Darla)
terça-feira, agosto 10
Hoje ela se olha e não vê mais como antes.
Não vê mais aquela menina, pelo menos não somente.
Ela olha e vê unhas pintadas,
olha, e vê uma malinha já cheia de coisas legais que ela sonhava, mas não imaginava tocar.
olha, e vê uma malinha já cheia de coisas legais que ela sonhava, mas não imaginava tocar.
E se as unhas pintadas nem são tão novidade assim há algum tempo, hoje elas anunciam mãos novas, que deslizam as costas e afagam o cabelo do amado, que riscam o quadro verde, que assinam os novos planos, que folheiam a leitura espiritual diária e que claro, escrevem como sempre.
Um corpo ainda menina, vestido rendado, sapatos vermelhos que a fazem lembrar Dóroti e muitos porquês e respostas mirabolantes pra tudo, como Alice.
Estes pés hoje não andam mais tão sozinhos, embora encontrassem sempre um par de all star amigo em filas de teatro, fios de telefone, aulas de cálculo, rabiscos avulsos e diários. Estes pés agora descansam e andam sobre outros tão sonhadores e idealistas, tão crentes, espirituosos e movidos quanto eles.
Pés e mãos de alguém que mistura letras, sons e alma e que quando chega aos ouvidos dela, faz seu coração dar pulinhos de alegria e logo o sorriso ganha todo rosto de lua cheia, iluminada pelo sol dele.
É, hoje ela se olha e se vê mais ela por ser tanto dele.
(Darla)
terça-feira, agosto 3
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