sábado, janeiro 17

Gritos do silêncio


















Cheguei à estação, desembarquei, eu e minhas malas, bagagens de alguns anos.

Mas cheguei com bem menos do que no início da boa viagem.
Dei alguns presentes e fiz gente feliz com aquilo que não mais me trazia euforia. Compartilhei umas coisas. Pela janela deixei outras, e as vi voar como pássaros e na estrada encontrar abrigo. Fez-me bem saber que flori certos caminhos que ficaram pra trás.
Ah, ganhei presentes também. Conseqüência do sorriso largo e verdadeiro que permiti por alguns momentos ganhar meu rosto. Ganhei porque doei.
E esse ensinamento levarei comigo.

Mas nada semelhante ao menino. Nada me fez mais viva e mais loucamente livre do que aqueles olhos sonoros e dedicados.
E de tão familiares que me foram, acompanharam-me.

Tomei a mim e aos meus pertences e segui.
Quero conhecer a cidade, vasculhar cada milímetro e desvendar cada mistério. Provar cada sabor, ouvir cada nota, respirar cada perfume, ver cada detalhe e sentir cada relevo, desde as ruas, tetos, até o céu.

Olho sobre os ombros e ali estão eles.
Olhos pequeninos que agora fazem parte de mim.

(Darla)
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