quinta-feira, setembro 30

O que você quer?
um coração? um cérebro? coragem? ou só quer mesmo voltar pra casa?
O que você quer??
amar pra lembrar que tem um coração? estudar pra lembrar que tem um cérebro? luta pra lembrar que tem coragem? ou quer sair pra saber como é voltar?

O que você quer afinal?
Sonho, eu acho.

"Certa vez eu ouvi alguém contar
Que além, sobre o arco-íris há um lugar
Onde o céu, sempre azul
Nos faz sonhar
E a gente consegue os sonhos realizar

Por isso quando a chuva
Tamborila na vidraça da janela
Eu vejo um arco-íris na esperança
De encontrar a região
Tão bela

Onde o céu sempre azul
Nos faz sonhar
E a gente consegue os sonhos
Realizar."

(Over the Rainbow)

(Darla)

 

quarta-feira, setembro 15

O que você tem cosido?


Ela foi cosendo e dizendo:-olha, é assim que se faz
Passa por aqui, pega, abraça, passa, volta e segue

E o desenho ia se formando.

Perguntei se é sempre assim
E ela disse: -sempre nunca é, mas a agulha aprende o caminho e te ajuda, logo até de olhos fechados se faz flores
E perguntei:-dói o dedo?

-Espeta de vez em quando, como tudo na vida, mas no final tenho flores e pássaros e nomes e sorrisos gratos e corpos quentinhos nos laços formados,  não acha que vale à pena?

-Viver é como coser então? -perguntei

-Viver é coser querida.

(Darla)


* co.ser
v. 1. Tr. dir. Ligar, unir com pontos de agulha; costurar. 2. Pron. Consertar ou remendar sua própria roupa. 3. Tr. dir. e pron. Encostar(-se), unir(-se)

segunda-feira, setembro 13

Uma vez li um livro de título “Fazendo nada” que falava sobre um menino, Huguinho, que claro, não fazia nada. Ao final do livro a moral pra mim foi: coitado do Hugo.

É, já que você não faz nada, você pode fazer tudo pra tudo mundo, esta é a lei.

Quem não faz nada pode ir ao banco ou supermercado, ou ainda, farmácia, na hora que alguém pedir ou mandar, afinal: Você não faz nada.

Os fazendo nada que dormem um pouco a mais então, nossa, ganham uma cruz de presente para se prenderem.

Você não faz nada, mas paga as contas, organiza as coisas, preenche os canhotos, varre, limpa, vai e volta...ué, que fazer nada é este afinal? E olha que você pode vender ou dar lições neste meio tempo, pra lá e pra cá e ainda sim vão dizer que você tava passeando ou que seu trabalho não é trabaaalho, já que trabalho pro povo é: todo santo dia de 8h às 18h com 1 hora de almoço. Qualquer grande variação nesta regra o torna um grande fazedor de nada.

E se você ainda estuda é obrigado a ouvir: fulano estuda tanto né? Mesmo que seja mestrado.

Enfim, a conclusão a que cheguei é que quem não faz nada, faz muito mais, e pior, para os outros.

Quero minha carteira assinada e meus direitos trabalhistas. Profissão?  Fazedor(a) de nada (e que nada difícil este).

(Darla) 

sexta-feira, setembro 3

O coração da Darla

Meu coração às vezes dói e fico pensando se poderia se tratar de alguma patologia de nome estranho,longo,de radical -algia , talvez.
Mas é dor que o analgésico da tal Associação dos Analistas de Sistemas não resolve, é dor com vontade própria, que pensa e que fala a hora que bem quer, no lugar que quiser, mesmo quando você quer silêncio pra ouvir aquela última fala do ator. 
Droga.
Ele às vezes dói como se triste, sem estar, como se faminto tendo o que comer, como que louco por um grito quando se dorme. 
Ele dói quando se vê longe do divã, longe do ouvido, incompreendido. Dói na sua diferença, na sua indiferença, no seu jeito meio assim, meio assado, que faz ele ser quem é e pertencer a quem pertence.
Deveria ter ocupado outra residência. -poderia pensar ele.
Um pouco mais espaçosa e sem tantas flores em jarros e papéis de parede do tempo da vovó. Mas me encantei com seus olhos, caí por aqui, fui ficando, me envolvendo e agora, que faço eu, senão suportar?
Meu coração às vezes dói pela sede de ser menos coração neste mundo onde quase não se lembram da existência deles.

(Darla)
Eram 5 pedrinhas, das mais pequenas, embrulhadas no lenço bordado a mão e guardadas no bolso como amuleto.
5 pessoas queridas, 5 sentimentos preferidos, 5 lembranças melhores, 5 músicas gostosas, 5 pratos prediletos, 5 desejos mais secretos.

Havia dias em que o coração pulava no peito, louca pelo momento íntimo em que abria o embrulhinho com cuidado e as espalhava sobre a colcha de renda.
5 pedrinhas soltas como estrelas sobre o céu, livres.

Tocava-as com carinho, apertava-as nas mãos e os olhos juntamente e pensava que sua felicidade residia nas coisas mais simples, como num sorriso gratuito e despretensioso a qualquer hora de um dia qualquer da semana.

(Darla)
[Tirinha Ricardo Liners]

segunda-feira, agosto 23

Porque gosto

Era o mesmo campo de tulipas amarelas de sempre.
tão lindo...

Com aquela árvore à esquerda, de tronco largo, raízes fortes, rodeada de dentes-de-leão.
E claro, céu azul, como não seria! E um cheiro de alegria e de crianças, aliás, risos ao longe delas, risos gostosos de quem corre entre as flores.

E rodopiei, correndo muito, os braços altos como que abraçando o vento, que era leve e as sementinhas aladas daqueles dentes-de-leão me rodeavam e dançavam comigo e sorrimos e dançamos e sentimos os pés guardados.

A mãe gritava que havia café e broa quentinha e todos corriam em volta da casa antes de sossegar e como era gostoso de ver.

Esqueci da música: flauta, assobio...algo assim...do moço querido, claro. Mesmo quando não penso, penso nele.

Tulipas amarelas por toda parte e céu azul piscina como gosto...

Abri os olhos e o tapete cereja me acolhia e da janela a lua cheia me lembrou biscoito de aveia e mel...que delícia!

Namastê

(Fim da aula de yoga de hoje ;)

(Darla)

terça-feira, agosto 10

Hoje ela se olha e não vê mais como antes.
Não vê mais aquela menina, pelo menos não somente.
Ela olha e vê unhas pintadas,
olha, e vê uma malinha já cheia de coisas legais que ela sonhava, mas não imaginava tocar.
E se as unhas pintadas nem são tão novidade assim há algum tempo, hoje elas anunciam mãos novas, que deslizam as costas e afagam o cabelo do amado, que riscam o quadro verde, que assinam os novos planos, que folheiam a leitura espiritual diária e que claro, escrevem como sempre.
Um corpo ainda menina, vestido rendado, sapatos vermelhos que a fazem lembrar Dóroti e muitos porquês e respostas mirabolantes pra tudo, como Alice.
Estes pés hoje não andam mais tão sozinhos, embora encontrassem sempre um par de all star amigo em filas de teatro, fios de telefone, aulas de cálculo, rabiscos avulsos e diários. Estes pés agora descansam e andam sobre outros tão sonhadores e idealistas, tão crentes, espirituosos e movidos quanto eles.
Pés e mãos de alguém que mistura letras, sons e alma e que quando chega aos ouvidos dela, faz seu coração dar pulinhos de alegria e logo o sorriso ganha todo rosto de lua cheia, iluminada pelo sol dele.
É, hoje ela se olha e se vê mais ela por ser tanto dele.

(Darla)
 

domingo, agosto 1

Observo-a há tanto tempo...
Lembrei-me dela atravessando a rua vazia, olhando para as janelas, buscando algo, ansiosa com coração palpitante e desejoso até que um pássaro pousou nela.
E me lembrei dela lambuzada de doce de leite, coberto com cristais direto do pão de açúcar.
E me lembrei também do céu azul piscina que anunciava uma noite ímpar.
E das gotas de chuva aqui e ali e dos sapatos vermelhos atravessando a rua cinza e os tantos ônibus rumo à brisa do mar.
Lágrimas inexplicáveis, que talvez saíram porque queriam saber o que é molhar um ombro e não um travesseiro.
Fogos de artifício, vento no rosto, água gelada de cachoeira, arroz com brócolis e suco de morango com laranja...
Ela, a figura dela, me passou como um filme acelerado na mente e me lembrei dos instantes que a vi feliz e fiquei feliz de ver seu sorriso.
Lembrei-me dela também pequena, no corpo de criança, louca pra saltar a janela e criar asas como borboletas e me lembrei dos desfiles cívicos que eram tão importantes e até senti saudade daquela cabecinha sonhadora.
Lembrei dos tropeços, dos tempos que ouviu tantos conselhos e se perdeu e tentou se achar, se perdendo e se achando. Quero tanto que ela se encontre mesmo.
Ela me instiga porque me confunde, por isso observo-a tanto.

(Darla)

quinta-feira, julho 22

Oi amor,

Ligo pra que o instante não mais me sufoque e pra que de longe me afague o rosto em pranto e aqueça o coração que anda perturbado e cambaleante.

Há dias não chove na cidade, o chão anda seco e em mim, flores clamam por água (disseram-me um dia que eu era uma flor de espécie desconhecida - concorda com este disparate? hummm, só porque preciso de sol, água, e todas aquelas coisinhas de bactérias e minerais - que aprendi na aula de biologia - pra sobreviver?)

Mas enfim, ligo porque tua voz sopra em meus ouvidos mais uma chance e restaura em mim a paz, a vontade e a fé, esse sentimento que ressuscita mortos. Perto de você me sinto mais perto dEle.

E se tua tristeza me comove, ela mesma fala pra meu espírito se fazer forte pra te fazer feliz, pois não suporto vê-lo desassossegado. Nasci com o dever de te cuidar. 

Mas como também nasci eufórica e cresci agitada, troco por vezes pés por mãos, tropeço nos cristais da sala e no fim quem me cuida é você. E eu nem gosto de receber seus mimos e sorrisos... ;)

É, ligo pra quase telepaticamente dividir com você o que se passa por dentro e pra falar em silêncio. E nessas e outras, dou a sorte de ouvir que a lua está iluminando lindamente a grama do quintal (pude até imaginar).

Liguei porque só você sabe contar as histórias de forma tão detalhada a ponto de eu ver a cena (melhor do que ler livro) e porque no fim do papo pesado sempre vem a frase celebre que faz tudo ficar leve.

Enfim, ligo porque mesmo que eu esteja no meio de um furacão, você é minha certeza junto a quem te deu pra mim e a única conclusão que resta é, que se sou Alice, você só pode ser o próprio País das Maravilhas.

(Darla)

sábado, julho 17

Andança

Ao longe, as catedrais badalavam seus sinos
E ao longo da rua havia gente perambulando, vendendo e comprando rendas, homens e amendoins torrados, meninos com peões, sandálias subindo as ladeiras, saltando as poças, esperando,
buscando.
Os sinos tilintavam em seus ouvidos e os dentes acompanhavam a melodia no ranger,
As narinas dilatavam na expiração e o vento vez ou outra agitava o vestido.
Então fechou os olhos como quem dorme, depois como quem chora, depois como quem ora, depois como quem conclui.
Concluiu, mexeu os lábios pra um lado só, daí mordiscou o inferior.
Falou algo, mas não quis ouvir por mais que ela quisesse que fosse ouvido.

Daí pensou, seguiu, parou, olhou pra trás, pra frente, abriu a porta e se foi.
Tive pena de tudo quanto ela era e que não é. Muita pena.

(Darla)

sexta-feira, julho 16

Fotografia de Alice

Tomou nas mãos aqueles pequenos retalhos e passou a uni-los em oração.
Cada xadrez, ligado a um fio que ultrapassava círculos e contornava pequenas flores, formava um jardim.
Achava-se cheia dos retalhos, das pequenas miudezas que mal enchiam a xícara, faltava-lhe sempre o chá todo e faltava-lhe uns amanteigados, uns beijinhos de côco e sonhos açucarados (por mais que ela os produzisse toda noite).
A toalha de mesa costurada a mão já tinha cauda, que corria todo o salão e a contornava os ombros e no reflexo do chá ainda os mesmos olhos marejados e desejosos,
Marejados e ansiosos,
Marejados e infantis, esperançosos por amoras frescas, casadinhas e suspiros.

(Darla)

sexta-feira, julho 9

Me responde só isto
[Se tudo na vida há de ter resposta]
Por que você tá aí e eu aqui?
E por que o relógio gira sempre no sentido horário?
E já que é noite, por que nem todos dormem pra acordarem amanhã e se verem nas praças, se toparem no bonde, dividirem o mesmo café?
Por que você não está aqui e eu aí?
Por que tudo demora quando se quer pressa?
E se tudo na vida tem resposta mesmo
Me diz por que eu tô assim?

(Darla)

quarta-feira, julho 7

Alice estava deitada no campo de flores
Procurava respirar devagar,de forma ritmada
Tentava com tanta dedicação, mas um reloginho dentro dela batia insistentemente:
Tum tum
Tum tum
Não podendo mais ignorar aquele som, curiosa que era, perguntou com autoridade:
- Ora, ora coraçãozinho, por que está tão agitado aí dentro mim? O que quer afinal?
Alguns minutos e nada de resposta. E nem teria. Coração não fala, coração sente e ela sabia o que ele sentia.
Amor.

Amor! Ela se repetia. É amor!


(Darla)

quarta-feira, junho 30

Dos pecados interiores

Sim, eu sinto.
E sinto como quando a chuva de verão toca o telhado de zinco
Ou como a bola que invade o gol
Ou como a foice que rasga o campo

Sinto como a pedra no sapato no caminhar obrigatório
Como a sede na garganta do que quer um copo d’água

Sinto quando ele vai e quando ele volta
Ou quando fala ou não fala
Ou quando sei do outro que precisa dele, ou que o ama, assim como eu

Sinto um sentir que queria que fosse só meu

Somente meu, de mais ninguém.

(Darla)

segunda-feira, junho 28

Sobre o sentir

Apertou os olhos para suportar tanta cor.
Cores que respiravam enquanto a espreitavam contra a cadeira, onde se plantara.
Apalpou os bolsos, procurou os confeitos da noite anterior, restos dos minutos que queria parar, mas os bolsos estavam furados (os dias passados).

Fitou-se então e quis entender (como todos os dias) como fazia pra ser inteira quando metade, ou como fazia pra sua metade parecer inteira.

Era sempre assim. Passado um dia em reclusão, ela com seus pensamentos, com suas atividades rotineiras, com o ir e vir absolutamente previsíveis: café, almoço, janta, cama, leituras, contas, afazeres...(suspiros); era só ficar um dia assim e já vinha aquilo de novo, a coisa que aperta o peito, o semblante da introspecção com a música de fundo de dias tristes.

Não queria ser assim, mas é. Queria ser sempre como farinha e açúcar que se ligam com ovo e manteiga. Um bolo inteiro, fofo, quentinho e queria ser assim pra sempre, sem pedaços, sem até amanhã ou até logo, um inteiro que se divide se multiplicando, entende? (Sempre foi boa em cálculos, mas preferia as letras).

Balançou as bandeirinhas, comeu brigadeiro na colher, fechou os olhos um pouco, mas no final era ela falando pra alma dela pra se aquietar um pouquinho pra chegar o novo dia, as novas cores e a hora de se ver inteira como massa de bolo (juntinha).

(Darla)

quarta-feira, junho 2

Olhou através de uma janela grande e profunda
Daquelas que dá pra ver muita gente, ler muitas placas perto ou longe, ouvir sons de casas, conversas, rádios, carros e crianças, mas pousou sobre os olhares.

Diversos, de tantos gostos, de tantas cores, pouco azuis, muito azuis, novos, nem tão novos assim, de línguas diversas, olhares diversos.

Mas num especial, viu um pássaro pequeno sobre o telhado grande. Era vida sobre o morto.

E mais uma vez, numa tarde fria, se viu salva.

Pra quem quiser, tá aí:



quinta-feira, maio 27

História Trágica Com Final Feliz



"Era uma vez uma menina cujo coração batia mais rápido que das outras pessoas..."

Tinha alma de pássaro, logo, coração de pássaro.

Um dia voou e se foi, 'mas ninguém se importaria de partir assim'.

Há os que andam muito, muito rápido; os que respiram muito, muito rápido e profundamente; os que falam, cantam e assobiam sem parar. Almas desencontradas por aí, perdidas? Talvez achadas.

Gostei desse vídeo, talvez porque me identifiquei, talvez porque é triste mas feliz na essência, talvez porque seja simplesmente simples.


"E Alice perguntou ao gato: 'Que tipo de gente vive aqui?'
'Louca'- disse ele. 'Mas não quero me encontrar com gente louca'.
'Oh, não se pode evitar, todos são loucos por aqui. Eu sou louco. Você é louca.'"
 


Related Posts with Thumbnails